Beth, o Carvalho do samba!

        “Pois é, essa árvore é usada pelos botânicos e geólogos como um medidor de catástrofes naturais do ambiente.
Quanto mais temporais e tempestades o carvalho
enfrenta, mais forte ele fica! Suas raízes naturalmente se aprofundam mais na terra e seu caule se torna mais robusto, sendo impossível uma tempestade arrancá-lo do solo ou derrubá-lo!
Cada tempestade para um carvalho é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça! – Numa grande tempestade, muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece firme!”

 

(extraído do texto de autoria de Dario Oliveira, “Todos deveríamos ser como árvores de carvalho”, do site www.arvoredecarvalho.com.br)


Não, não nasceu no morro! Nasceu nos seus arredores, ali na Gamboa, que hoje abriga a Cidade do Samba (talvez ela já soubesse, e apenas quis enganar a gente).
Não, não levou uma vida desregrada, nem teve que subir e descer ladeira!
Seu quintal foi o mesmo da bossa nova, a Zona Sul carioca, e ainda menina, sempre sapeca, deu uma volta no “Trem da Alegria”, de onde ouviu-se seus primeiros acordes, nas ondas do rádio. Trem… Rádio… Talento… Essa mistura esquisita só podia dar em samba, e por mais que não quisesse (cismou que era bailarina!) as notas do violão pareciam embriagar-lhe.
Ela foi valente, bem que tentou! Lutou com todas as suas forças contra seu destino.
Menina rebelde!
Menina Beth! Sempre foi do Carvalho!
Mas o banquinho e o violão do “desafinado” João Gilberto acabou sendo a redenção!
É, a rebeldia era tamanha, que tinha que ser pelo desafino, o convencimento de que a música era o caminho a seguir.
E nas “andanças” dessa vida, não teve jeito, teve que subir “1800 colinas”, e chegou no topo, e foi quando entregou-se, corpo, alma, coração e canção, ao samba. Amor à primeira vista, e dele tornou-se a “enamorada”. De roda em roda, de violão em violão, esbarrou com Nelson Cavaquinho, Zé Ketti, e tantos outros, até que do Mestre Cartola, ganhou rosas. Mas essas rosas “não falam, simplesmente exalam” o perfume forte que só nos jardins de Mangueira florescem.
Nascia então um amor que não tem fim.
Desses de novela, com todos os ingredientes de um bom folhetim! Cheio de juras, de promessas, idas e vindas, lágrimas e sorrisos, separação e enfim, reconciliação. Uma hora, sentada à sombra da tamarineira,foi enfeitiçada pelos tambores de um certo Cacique, e com tanto cacife, noutro momento, estava sentada num botequim, e foram tantos os “botequins da vida”, que sem se dar conta, estava já “alta”. E a cabeça girou, “o mundo é um moinho”, e de tanto girar a cabeça e levar requebro aos quadris, rodou o mundo, fazendo o mundo inteiro girar.
E o tempo foi passando, e “folhas secas” caindo ao chão, tal qual rebentos, a chamar-lhe agora de madrinha.
E sob suas bênçãos, o “pagodinho” do Zeca, e de tantos outros partideiros lá do “fundo de quintal”, alcançou o estado de graça.
E assim, rodando nas rodas de samba, tal qual bailarina, na ponta dos pés, calçados de chão, que sempre viveu, no meio da gente simples, uma gente orgulhosa de ser “brasileiríssima”
Mas o céu, quando se é estrela, nunca será o limite, e como quem nasce para brilhar, brilha aqui ou em qualquer lugar, seu brilho chegou ao espaço, onde nenhum ser da Terra ousou um dia tocar!
Que “coisinha tão bonitinha do Pai” essa menina! Fez o samba ultrapassar as fronteiras do universo, e há quem diga, que os marcianos (que eu tenho certeza que são verdes, cheios de bolinhas rosas) nunca mais foram os mesmos depois que uma certa semente brotou pelas bandas de lá!
À bela árvore que nasceu, deram o nome de Carvalho!

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(Fontes de Pesquisa: Beth Carvalho – site oficial e Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira – site oficial)