Um Centenário em Tons de Verde e Rosa

No centenário do samba, a Nação Verde e Rosa lança uma série de postagens que irá contar a história do samba que se funde à trajetória da Estação Primeira de Mangueira .

A fundação

Dia Nacional do Samba, dois de dezembro, surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. A referida data evidencia o dia em que ele visitou Salvador pela primeira vez. As comemorações foram se estendendo pelo Brasil inteiro e, hoje em dia, a data é muito valorizada pelos sambistas do país. Já o considerado marco zero do samba no Brasil, a música Pelo Telefone, composta na casa de Tia Ciata, na Praça Onze, comemorou seu centenário no dia 27 de novembro de 2016, data em que Donga registrou a canção na Biblioteca Nacional.

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Algo importante que não deve ser esquecido em relação à origem do samba é justamente suas origens. No início do século XX, o Brasil passava por várias transformações, e não foi diferente com o Rio de Janeiro. A Proclamação da República e Abolição da Escravidão (1888) atraíram uma massa de trabalhadores negros e migrantes vindos de diversas regiões do país. Na zona portuária da capital carioca, na região da Pedra do Sal, surgiram rodas de samba que ratificaram o local até hoje como um dos berços do samba da cidade. Desde o século XVIII, funcionava no local um mercado de escravos, o Cais do Valongo, que, entre 1769 e 1830, foi porta de entrada no Brasil para 500 mil escravos oriundos da África. Esse local emblemático ainda é point de rodas de samba às segundas-feiras e às sextas-feiras. samba-na-pedra-do-sal

Após a Abolição, os escravos alforriados foram marginalizados e não houve uma política de integração destes como cidadãos. Muitos foram viver nos arredores da praça Onze e da Pedra do Sal, local em que já existiam remanescentes de um quilombo. Soldados negros vindos da Guerra do Paraguai também foram viver nos morros próximos. Essa comunidade negra de diferentes origens passou a ser conhecida como “Pequena África”, onde hoje ficam os bairros de Santo Cristo, Saúde e Gamboa. Assim, o samba se urbanizou e trouxe a cultura afro-brasileira –  que se formou a partir da cultura trazida pelos escravos com a mistura de influências europeias com os batuques nas fazendas coloniais – para a cidade. 

Foto: Ivo Korytowski
Foto: Ivo Korytowski

Embora o Carnaval na cidade do Rio já fosse repleto de festas e bailes, estes eram reservados somente para brancos. Os sambistas de Mangueira, por terem um comportamento considerado “inadequado” pela elite branca da cidade, não podiam participar das festas e, por isso, criavam seus próprios blocos para se divertirem. No dia 28 de abril de 1928, alguns sambistas decidiram unir todos os blocos de Mangueira, inclusive o Bloco dos Arengueiros – fundado por Cartola e Carlos Cachaça entre outros – para desfilar na Praça Onze.  Angenor de Oliveira (Cartola), Saturnino Gonçalves (Seu Saturnino), Abelardo da Bolinha, Carlos Moreira de Castro (Carlos Cachaça), José Gomes da Costa (Zé Espinguela), Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), Marcelino José Claudino (Seu Maçu) e Pedro Paquetá, com essa união de blocos, fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira – segunda escola de samba fundada no Rio de Janeiro. Seu primeiro presidente foi o  Sr. Saturnino Gonçalves e nome e as cores da escola foram escolhidos por Cartola. E, assim, a história do samba ficou mais rica…

Bloco dos Arengueiros, criado em 1923, deu origem a Estação Primeira da Mangueira - Agência O Globo
Bloco dos Arengueiros, criado em 1923, deu origem a Estação Primeira da Mangueira – Agência O Globo
 Cartola como imperador na Comissão de Frente Mangueira em 1978 Foto: Sebastião Marinho/O Globo

Cartola como imperador na Comissão de Frente Mangueira em 1978 Foto: Sebastião Marinho/O Globo

Texto e Pesquisa: Fernanda Braga

 

 

 

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